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O PONTO DE ENCONTRO DOS AVENTUREIROS DO RN! 

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Originalmente, o Aventureiros por Natureza – RN (ApN-RN) nasceu como uma comunidade virtual do orkut criada para ser um ponto de encontro entre viajantes do Rio Grande do Norte. Um espaço para marcar viagens, acampamentos, trilhas, trocar dicas e experiências. Com o tempo, logo tornou-se em um grupo “real” que reúne pessoas que curtem ecoturismo, esportes de aventura ou simplesmente que gostam de viajar com uma mochila nas costas para trilhar os caminhos do RN , do Brasil e do Mundo.

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Subida no Monte Roraima – Por Clodoaldo Damasceno

Lado guiano do paredão.

Lado guiano do paredão.

Havia tempo que queria ir à Venezuela e pude nesse fevereiro de 2015. De início, a vontade se limitava apenas a conhecer o Monte Roraima e, se houvesse tempo e sobrasse dinheiro, ir ao Salto Angel. Saí de Natal com duas certezas: uma passagem de ida e outra de volta para Boa Vista, Roraima.

Chegando no aeroporto, ainda era madrugada, tomei um táxi para a rodoviária, onde fui informado que haviam táxis específicos, sinalizados para esse fim, que faziam o trajeto entre Boa Vista e Pacaraima – lado brasileiro da fronteira com Santa Helena de Uairén, na Venezuela. A viagem dura duas horas e custa R$ 35,00, mas o táxi só sai se preencher pelo menos 4 vagas, num carro que cabem seis. Também tem a opção de ônibus, mais demorados pra sair, mais lentos na estrada e daí se perde todo um dia pelo que se poderia resolver em algumas horas, economizando apenas uns dez contos.

Chegando na fronteira, é necessário parar num posto da Polícia Federal Brasileira, se identificar e eles registram sua saída. Caminha uns 600 metros e chega ao posto da Polícia Bolivariana com um documento válido – pode ser o passaporte ou uma identidade com menos de dez anos – para tirar o “permisso” de entrada. Também é preciso o comprovante internacional de vacina contra febre amarela, que tem que ter sido tomada com pelo menos dez dias de antecedência e no máximo dez anos. Fiquei achando mais seguro o passaporte, porque levei só RG, fui tomar um vôo em Caracas e o policial que checa os documentos no embarque achou que o meu estava vencido. Tive que conversar com o superior dele para explicar que a data que aparece na identidade brasileira não é a de vencimento, mas a de expedição. Ele me pediu para ver o permisso e no fim fui liberado, mas esse é um tipo de detalhe que pode bagunçar uma viagem, então é bom se ligar.

Outro detalhe que se deve atentar ao ir à Venezuela é quanto à sua instabilidade política. Está havendo no país um boicote, por parte de produtores de coisas básicas – leite e sabonete, por exemplo – que estão deixando de ser vendidos aos venezuelanos e sendo exportados pra Colômbia. É chegar no supermercado e ver um monte de prateleiras vazias ou apenas com produtos idênticos. Isso atrapalha um pouco a vida do mochileiro, mas não impede. Por outro lado, os restaurantes tem preço muito acessíveis, principalmente em Santa Elena de Uairén – passagem obrigatória para quem quer ir ao Monte Roraima – de forma que a habitual feirinha termina não fazendo tanta falta. Essa instabilidade também afeta o câmbio da moeda. Em uma semana, um real passou de 59 bolívares para 49, depois subiu para 60. Se for só ao Monte, aconselho levar apenas reais e trocar em Santa Elena, que fica na fronteira e valoriza nossa moeda. Troca-se no meio da rua mesmo, com uns caras que vestem colete vermelho. Pagam preço melhor do que as casas de câmbio oficiais. A moeda de lá vale tão pouco que não acredito que exista alguém que perca tempo tentando falsificá-la, de forma que é tranquilo trocar. O problema é o volume. Trocando duzentos reais, você sai com um pacote gigante de notas de bolívares que se torna um incômodo pra rodar por aí. E, se for rodar mais pelo país, aconselho levar o restante que for utilizar em dólar e trocar pelo caminho, com taxistas, donos de pousadas e funcionários dos aeroportos, sempre alguém troca.

Depois de feitos os trâmites fronteiriços, peguei um táxi até o centro da cidade – são uns dez quilômetros de distância. Um detalhe bom na Venezuela é o preço da gasolina. Uns dos guias que conheci me falou que os R$ 3,50 que eu pago num litro de gasolina é o que ele gasta por mês. Gasolina por lá é muito mais barato que água, são alguns centavos o litro, de forma que para resolver algumas travessias o táxi termina sendo a forma mais viável – até porque eles têm pouquíssimos ônibus intermunicipais. Noutro relato falarei mais sobre isso.

Já em Santa Elena de Uairén, pesquisei algumas agências e a Backpacker Tours me pareceu a melhor – tanto em serviço e estrutura como no preço. Um guia avulso me cobrou R$ 750,00 pelo passeio de 6 dias e na agência me cobraram R$ 600,00. Os guias são índios Pémon nativos da região dos Tepuy – como chamam as montanhas em formato de mesa: Roraima Tepuy, Kukenán Tepuy e por aí vai. Os que me guiaram são uma família: o paí, Roger, é o guia. Bilíngue, gente finíssa, extremamente conhecedor do lugar, pois nasceu e vive lá, além de ser carismático. A mãe é Maria, que é cozinheira e carregadora, assim como os três filhos mais velhos também são. E tem mais um de 13 anos, que não carregava nada, apenas aprendia. No geral, a trilha é toda bem definida, segue-se sozinho por ela tranquilo, inclusive até o cume da montanha, mas não sei se o Imparques permite.

O serviço do passeio funciona da seguinte maneira: o grupo sai da agência em um ou dois Toyotas tracionados, dependendo da quantidade de gente, e roda por uma hora no asfalto, pela região conhecida como Gran Sabana – que designa o tipo de vegetação que existe por todo o Parque Nacional Canaima, com centenas de quilómetros de extensão.

Gran Sabana e suas jazidas

Um dia antes desse passeio, fiz um tour pela Gran Sabana. Como ninguém queria gastar energia, já que no dia seguinte teria caminhada, fui sozinho com o guia Cézar, numa Toyota tracionada. É um rolé qualhada, mas é bonito. Dura das nove da manhã às 5 da tarde, e ele te leva para ver e tomar banho em várias cachoeiras. O passeio custa R$ 150,00 pelo carro, que leva até seis pessoas. Sendo rateado fica pechincha.

O Parque Nacional Canaima, onde estão os tepuy e que está dentro da savana, é uma área indígena de preservação, com jazidas de ouro, jade e diamantes – mas que não pode ser garimpada, pois é protegida pelo exército. Eles param os carros para checar documentos em vários pontos da carreteira.

Depois do asfalto, toma-se uma estrada de barro por mais uma hora, seguindo sempre com a visão distante do Monte Roraima à frente. Chega-se então à aldeia mais próxima do Monte, Paraitepuy, onde há oficiais do exército que fazem a guarda da entrada do parque. O nome da estatal que cuida disso é o Imparques – como o Ibama daqui. Lá você vai apresentar identificação e assinar uma folha de entrada e daí começa a trilha.

 

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